cassino

Sexta-Feira, Junho 13, 2008

eu comecei jogando errado, perdi 200 dólares numa rodada, o croupier me olhava feio mas eu falei que ia recuperar. depois perdi mais 800. uns caras de terno saíram de uma sala e começaram a cochichar olhando pra minha mesa e eu disse ‘oooo croupier, venho aqui sempre desde o mês passado, já saí até com 300, se me der a chance eu sei que vou ganhar’.

por um instante ele me pareceu um garçom de bar lavando copos, o colete de pingüim e o pano sorrindo, dizendo que eu ia ter que acertar.

sim, era melhor ter como pagar. senão iam me quebrar dedo ou até braço, maxilar. simulei uma crise de choro quando perdi mais 500, falei que não tinha mulher e nem casa pra voltar. ele me emprestou duzentos e eu perdi seis mil.

já era a sexta rodada seguida que eu jogava só por jogar. eu sabia que estavam chamando o russo pra vir me socar. deixam ele num encouraçado ancorado no canto do hangar, e quando chamam é pra violentar o malandro que não sabe pagar.

eu tinha uma dama e um ká e devia los angeles pro cassino. eles disseram que iam pegar minha terra e minha mãe, eu falei que era sacanagem e eles responderam paciência. até tentei sair com honra, assinei umas promissórias e deixei me esmagarem seis dedos mas bem quando iam me jogar na rua chegou o rasmussen, vi que ia dançar e corri mas foi tarde, levei uma bocha na cara e caí sem três dentes no chão.

Quarta-feira, Junho 11, 2008

muito mais do que querer que uma saia levante ou que o decote espremido favoreça o que eu vejo da janela; aquele par de tornozelos está ao alcance da minha memória assim como o meu nome ou então meu pai.
eu agora brinco de seguir passos pela rua. faço meus os dela, pra esquerda e pra direita. quando pára, eu paro. às vezes finjo paisagem que é pra não estragar a brincadeira, mas ela não sabe, só parece, quando se vira pra trás e eu resvalo sem querer num olhar perigoso, como se adivinhasse o que estou fazendo.

nessa hora eu a deixo ir até onde a vista perde mas, que fazer, se eu quisesse seguia só de longe pelo cheiro que sai do cabelo.

celular

Terça-feira, Junho 10, 2008

- nossa, que nojo.
- edward
- eu estou com nojo de você agora. estou com tanto nojo que acho que vou ter que jogar esse telefone no lixo
- edward
- estou indo pro banheiro. pronto, já abri a tampa.
- ed
- vou largar, um dois três LARGUEI


- hello? he-hello?

papel

Quinta-feira, Junho 5, 2008

chove.

eu nunca gosto quando chove.

as paredes da minha casa são de papel e se molham em qualquer garoa, se desmancham no meio da chuva. vão-se embora com o vento e eu fico em pé na enxurrada. eu devia estar em casa e não na chuva, mas ela molha e eu fico sem.
não tenho culpa quando chove. não tenho culpa se as paredes viram água e se eu sou de papel. a água rasga e eu não tenho culpa.

mas um dia vai parar de chover. e aí eu vou montar as minhas paredes de cartão onde eu bem entender e morar o quanto eu quiser bem no meio do dia seco.
nem se elas forem de papel de seda, elas nunca vão rasgar, porque não vai chover. nem o vento vai levar, nem a água vai bater.

eu vejo as casas de madeira e elas nunca caem. a água molha e elas nunca caem. só o papel se vai, rasgado. eu e a minha casa.