buffet 50 anos
Sexta-Feira, Agosto 1, 2008
muito bem. antes de começarmos, eu queria dizer algumas palavras. ninguém nessa festa pode fazer barulho enquanto a banda estiver tocando. nós adotamos essa regra aqui no clube e vamos retirar quem estiver se manifestando. os thompsons estão aí para quem quiser entrar na roda. vai ser sopa de legume ou vão servir rasteira?
é isso.
oh candy candy, oh sweet candy
discovery channel
Terça-feira, Julho 29, 2008
e, enquanto eu aglutinava o hamburguer, a língua ia tocando e arremessando, sem nenhuma degustação. como se fosse uma alavanca com a única função de de jogar tudo para a garganta. como a carne viva, a salamandra. a serpente, a jibóia. a garça.
- uma vez eu trabalhei de língua. tinha que lavar os dentes com a saliva que escorria da parede e botar toda a comida que jogavam pra dentro do esôfago.
- que braçal. parece um estivador, um gari.
- sim, é a mesma tensão do caminhão de lixo. a hora que fecham a boca eu posso acabar preso no meio dos dentes.
- nossa, realmente insalubre.
- eu tenho mais dois clorets. você quer um?
- quero.
cassino
Sexta-Feira, Junho 13, 2008
eu comecei jogando errado, perdi 200 dólares numa rodada, o croupier me olhava feio mas eu falei que ia recuperar. depois perdi mais 800. uns caras de terno saíram de uma sala e começaram a cochichar olhando pra minha mesa e eu disse ‘oooo croupier, venho aqui sempre desde o mês passado, já saí até com 300, se me der a chance eu sei que vou ganhar’.
por um instante ele me pareceu um garçom de bar lavando copos, o colete de pingüim e o pano sorrindo, dizendo que eu ia ter que acertar.
sim, era melhor ter como pagar. senão iam me quebrar dedo ou até braço, maxilar. simulei uma crise de choro quando perdi mais 500, falei que não tinha mulher e nem casa pra voltar. ele me emprestou duzentos e eu perdi seis mil.
já era a sexta rodada seguida que eu jogava só por jogar. eu sabia que estavam chamando o russo pra vir me socar. deixam ele num encouraçado ancorado no canto do hangar, e quando chamam é pra violentar o malandro que não sabe pagar.
eu tinha uma dama e um ká e devia los angeles pro cassino. eles disseram que iam pegar minha terra e minha mãe, eu falei que era sacanagem e eles responderam paciência. até tentei sair com honra, assinei umas promissórias e deixei me esmagarem seis dedos mas bem quando iam me jogar na rua chegou o rasmussen, vi que ia dançar e corri mas foi tarde, levei uma bocha na cara e caí sem três dentes no chão.
muito mais do que querer que uma saia levante ou que o decote espremido favoreça o que eu vejo da janela; aquele par de tornozelos está ao alcance da minha memória assim como o meu nome ou então meu pai.
eu agora brinco de seguir passos pela rua. faço meus os dela, pra esquerda e pra direita. quando pára, eu paro. às vezes finjo paisagem que é pra não estragar a brincadeira, mas ela não sabe, só parece, quando se vira pra trás e eu resvalo sem querer num olhar perigoso, como se adivinhasse o que estou fazendo.
nessa hora eu a deixo ir até onde a vista perde mas, que fazer, se eu quisesse seguia só de longe pelo cheiro que sai do cabelo.
celular
Terça-feira, Junho 10, 2008
- nossa, que nojo.
- edward
- eu estou com nojo de você agora. estou com tanto nojo que acho que vou ter que jogar esse telefone no lixo
- edward
- estou indo pro banheiro. pronto, já abri a tampa.
- ed
- vou largar, um dois três LARGUEI
- hello? he-hello?
papel
Quinta-feira, Junho 5, 2008
chove.
eu nunca gosto quando chove.
as paredes da minha casa são de papel e se molham em qualquer garoa, se desmancham no meio da chuva. vão-se embora com o vento e eu fico em pé na enxurrada. eu devia estar em casa e não na chuva, mas ela molha e eu fico sem.
não tenho culpa quando chove. não tenho culpa se as paredes viram água e se eu sou de papel. a água rasga e eu não tenho culpa.
mas um dia vai parar de chover. e aí eu vou montar as minhas paredes de cartão onde eu bem entender e morar o quanto eu quiser bem no meio do dia seco.
nem se elas forem de papel de seda, elas nunca vão rasgar, porque não vai chover. nem o vento vai levar, nem a água vai bater.
eu vejo as casas de madeira e elas nunca caem. a água molha e elas nunca caem. só o papel se vai, rasgado. eu e a minha casa.
redação jornalística
Terça-feira, Maio 27, 2008
A indigência constante nas esquinas não vem sendo mais tolerada pelos habitantes do bairro Santana. As agressões a mendigos foram freqüentes durante toda essa semana. Desde a última segunda-feira, a polícia registrou dez casos de linchamento sem motivo aparente na redondeza. Segundo informações da Brigada Militar, uma das vítimas foi apenas um morador que encontrava-se bêbado da noite anterior e acabara dormindo com uma das senhoras da calçada.
(…)
A situação dos indigentes do bairro Santana continua crítica. Desde a segunda-feira que passou, as contribuições com malabarismos em frente aos semafóros não vêm tido sucesso. Segundo os próprios mendigos, a arrecadação que antes era de quatro reais por pessoa caiu para apenas um real. Até os que não sabem contar notaram que, agora com as poucas moedas, vão ter que dar sangue e amor pra mergulhar de novo a própria meia na benzina.
(…)
E acaba de chegar a informação de que os mendigos da vila Planetário se aliaram aos pedintes do bairro Santana. Eles invadiram uma loja de pneus e roubaram calotas e canos para usar como escudo e tacape, respectivamente. Ao que parece, a Brigada Militar tentou intervir, mas não contava com a destreza marcial do que chamaram de “a nova geração de mendigos armados”. Mais informações e o desfecho desse conflito no nosso correspondente noturno.
THIS TIME, IN THE WORLD
Terça-feira, Maio 27, 2008
everyone on the party was gettin’ wasted
all camels in the desert were about to fart
the atmosphere is in the brink of danger!
can someone save the world in the blink of an eye?
unplease
Domingo, Abril 13, 2008
- parece que uma vaca passou sobre mim. duas vezes. eu estava me recuperando da primeira quando não vi ela voltando de ré.
carne de amor
Sábado, Março 29, 2008
um dia maria encarnou numa vaca e desde bezerra foi alimentada e criada pelo jovem adamastor. certa vez, em dia de pescaria no mar tempestuoso, adamastor acabou sendo derrubado do barco junto com a vaca a bordo. os dois foram parar em uma pequena ilha de nada mais que areia, muito longe de qualquer outra porção firme de terra. vendo a recente situação náufraga do homem, a vaca cedia-lhe o lombo traseiro como alimento. era o bife mais tenro e suculento que uma vaca já produzira em toda a história dos bois de abate, uma porção generosa de carne de amor. no fim, o jovem acabou sendo morto pelo próprio deus, por causa de um flagrante do que o homem alegou ser a ‘consumação do leite divino’.